
Já viram um nascer do sol roxo? Roxo, mesmo roxo. O meu pai gostava de viajar de madrugada e assim lá íamos nós na estrada da Gabela a Luanda e apanhávamos as queimadas e aquele nascer do sol absolutamente impossível. Sou Angola, tenho saudades do calulu de peixe seco e dos embondeiros. Das rosas de porcelana e do Colégio S João de Brito – ver A Baía dos Tigres do Pedro Rosa Mendes.
Antes de começarmos, uma explicação. Deve usar-se uma galinha dura como na cabidela, mas um frango serve perfeitamente. Fazer muamba a partir do dendém (para quem não sabe é o “fruto” da palmeira) não é para qualquer um. Houve um tempo em que tinha que ser, assar e esmagar o dendém (a propósito adorava ir comendo dendém assado enquanto a minha mãe fazia a muamba), misturar água, coar tudo e sobrava o óleo. Depois apareceu o óleo de palma (dendém) em lata e, finalmente, já há a “muamba” enlatada.
1 Galinha (frango)
Farinha de mandioca (funge) ou, para quem não gosta, farinha de milho (arroz não, foda-se!)
1 lata de muamba
1 dúzia de quiabos (não faço ideia do peso)
1 cebola
Alho qb
Bué da piri-piri (gindungo)
Vinho branco (pouco)
Fazer uma pasta com o alho, o vinho branco e o gindungo, esfregar bem o frango com ela e parti-lo em pedaços. Numa panela grande picar a cebola e pôr um fio de azeite. Meter o frango em pedaços e alourar. De seguida, com uma colher misturar a muamba da lata na panela e meter os quiabos. Tapar e deixar cozer em lume brando. Se e só se necessário acrescentar um pouco de água. Noutra panela aquecer água até ferver enquanto num recipiente com água fria se dissolve a farinha de mandioca mexendo sempre. Quando a água ferver meter a mistela em que se tornou o funge na água fria e mexer. Muito. Tira-se a panela do lume e mexe-se sempre até o funge tomar uma consistência a meio caminho entre o borracha e a plasticina. Assim que estiver tudo pronto (controlar o frango) servir da panela. Primeiro, o frango com muito molho. Usa-se só um garfo para a carne e os quiabos. O funge, se possível, come-se á mão. Fazem-se pequenas bolas e molha-se no molho da muamba. Meu Deus!
Sei que esta receita, dos tempos verbais ao processo, está meio desencalitrada, mas no fundo, agora é fácil, basta encontrar a muamba em lata nos supermercados. Se houver dúvidas estão à vontade para pedir explicações adicionais, nem que eu tenha que perguntar à senhora minha mãe.
Nota: não me esqueci do sal, só que a muamba em lata é o suficiente, não é preciso acrescentar sal. Os quiabos são um ingrediente fundamental. Se só faltar isso mais vale não fazer.
E agora vou ali desarmar os engenhos explosivos que me meteram debaixo do sofá, do tampo da sanita, do chassis do carro e no armário das minhas t-shirts preferidas. Se não voltar já sabem…estou a comer uma muamba. E agora…todos temos um hino. This is mine
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